Patagon M&A - Educação - Raiz Educação busca aquisição de colégio fora do Rio

O grupo carioca Raiz Educação, de educação básica, prepara-se para investir em novas aquisições, desta vez fora do Rio de Janeiro. Criada em 2016 e atualmente com 5,5 mil alunos divididos em seis colégios diferentes, a empresa estima fechar o ano com faturamento em torno de R$ 80 milhões. Para o ano que vem, o plano é mais que dobrar esse montante - para algo entre R$ 150 milhões e R$ 175 milhões - e avançar fora do Estado já no ano letivo de 2018.

O presidente da Raiz Educação, André Gusman, afirmou que a ideia é replicar, fora do Rio, o modelo que vem dando desde o início das operações da companhia. Em abril de 2015, a família controladora da Raiz comprou o colégio QI e decidiu criar o grupo empresarial, que começou a operar em janeiro do ano seguinte. Na época, o colégio faturava pouco menos de R$ 30 milhões anuais.

Atualmente, a Raiz "está olhando" oportunidades nas regiões Centro-Oeste e Sul, principalmente, com conversas também na região Norte. São Paulo ainda não é prioridade, devido à concorrência mais forte.

"Temos conversas em todos esses lugares. Hoje não temos mais capacidade de ser ativos nessa procura, estamos sendo procurados. É um bom problema", disse Gusman. O grupo, ressaltou, está na fase de seleção da região em que as aquisições serão feitas. "É factível dizer que em 2018 teremos algo fora do Rio. Nosso modelo é olhar a região e entrar de forma profunda. Deve ser uma [região] para ano letivo de 2018 e outra para 2019."

Com os ativos comprados do QI, a Raiz estreou com cinco unidades e 2,4 mil alunos. Desde então, pôs em prática a estratégia de fazer aquisições para gerar escala e sinergias na área administrativa, deixando que a parte pedagógica de cada colégio permaneça independente e sob a condução dos antigos donos.

O dinheiro para as aquisições - cujo valor não é divulgado - vem dos recursos constituídos após o fechamento do negócio da família controladora da empresa, os Barbeito. Yuri Barbeito, sócio da companhia, lembra que a família atuou durante décadas no setor de logística. Foram donos da Transroll Navegação e depois do Tecondi, terminal de contêineres no Porto de Santos, vendido em 2012.

Com o dinheiro da venda, Barbeito começou a prospectar novas oportunidades de negócios e se aproximou do setor de educação em 2014, quando trabalhava em uma consultoria de fusões e aquisições. Na época, foi chamado para desenhar um projeto de venda para o QI, formado por ex-professores do tradicional colégio carioca São Bento. Gostou tanto da proposta pedagógica da escola que, em vez de achar um comprador, apresentou o projeto à família.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação, mostram que há 40 mil escolas privadas de educação básica, com 8,9 milhões de alunos. É com base nesse universo que Barbeito e Gusman mostram otimismo para continuar a crescer. Desde a compra do QI, foram adquiridos o colégio Metropolitano, um dos mais tradicionais da zona norte do Rio; o Sá Pereira, em Copacabana, de linha construtivista; o Ao Cubo e o Oxford. Além disso, foram criadas a Matriz Educação, de preparação para concursos militares, e a creche Ipê, que abrirão as portas em 2018.

"É impossível ter um diretor pedagógico que entenda o Ao Cubo, o QI e o Sá Pereira", diz Gusman, sobre a parceria com os antigos donos dos colégios. Entre as escolas do grupo, a Raiz só não tem 100% da Sá Pereira e do Ao Cubo. Por exigências contratuais, eles não revelam as fatias que ficaram nas mãos dos ex-proprietários. Mesmo nos demais colégios, foram mantidos os diretores pedagógicos.

"Qual o plano B se um diretor que vendeu para a gente disser que está indo embora? Não tem plano B. Essa pessoa é a alma do colégio, é respeitada pelos pais. Não temos pessoas vindas de outra instituição, de outro segmento, da indústria, do mercado financeiro. Quem está à frente é quem sempre esteve à frente", disse Gusman.

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